Os desafios que se colocam ao desenvolvimento da TQT são, em síntese, os seguintes:

  1. Demografia

Provavelmente, o maior desafio que se coloca à TQT é o desafio demográfico ou seja, como evitar a persistente perda de população verificada nas últimas décadas ou, noutra formulação, como fixar e atrair população, especialmente população jovem e ativa, para os territórios em perda. A TQT continua a verificar um processo acentuado de perda de população, com pequenas exceções relativas a algumas freguesias pertencentes a centros urbanos. Esta dinâmica, que é o resultado de saldos naturais negativos e de movimentos de saída em direção a centros mais dinâmicos do País e do estrangeiro, coloca em causa a sustentabilidade destes territórios, especialmente daqueles que estão mais isolados e mais afastados dos centros urbanos locais. A fixação e atração de população para estas regiões é determinada por um aspeto principal, a existência de atividades económicas e de emprego que permitam estancar e inverter o ciclo de saída.

 

  1. Sustentabilidade dos territórios rurais – ambiental, social e económica

O presente desafio decorre do desafio anterior, ou seja, como valorizar os recursos endógenos diferenciadores da TQT – naturais, culturais, económicos –, como atrair iniciativa e investimento, como atrair visitantes, como chegar a mercados e consumidores de forma a assegurar, simultaneamente, a valorização dos recursos e a preservação do património natural e cultural da região, gerando atividade económica e emprego. A resposta a este desafio requer soluções inteligentes e ágeis assentes numa leitura das tendências de mercado e, sobretudo, de acesso a determinados nichos que valorizam a qualidade e a genuinidade dos produtos e de experiências que o território pode proporcionar. Do mesmo modo, a resposta a este desafio implica o reforço de capacidades de empreendedorismo e a produção de competências profissionais intrínsecas ao desenvolvimento de novos negócios. A sustentabilidade deste território pode ser alcançada através da operacionalização equilibrada e integrada dos três vetores da sustentabilidade – valorização dos potenciais locais através de um conjunto de atividades económicas geradoras de emprego e rendimento sobretudo dirigidas à diversificação de atividades e à densificação e crescimento das cadeias de valor mais relevantes (floresta, azeite, hortofrutícolas, vinho, carne e derivados, mel, turismo), contribuindo para a preservação e salvaguarda do património ambiental e cultural local e que permitam criar as condições de vida indispensáveis, no plano económico e social, para atrair e fixar população, novos investimentos e iniciativas.

  • Coesão

O desafio da coesão está intimamente associado a uma das dimensões da sustentabilidade e coloca-se, no território de intervenção, de forma particularmente aguda em relação à população mais envelhecida, muitas vezes isolada e com dificuldade em encontrar as respostas sociais para as suas necessidades. A situação tem-se agravado com o êxodo da população mais jovem e ativa das zonas mais rurais e isoladas, desguarnecendo aquela que seria a primeira linha de retaguarda das populações mais carenciadas. O contexto de ajustamento orçamental que o País vive e o consequente desinvestimento nas redes de serviço público por parte da Administração Central, sobretudo nas áreas da saúde, educação e de apoio social, agravada pela reduzida mobilidade intraregional que o território apresenta, tem agravado a situação de falta de coesão, apesar dos esforços desenvolvidos pela Administração Local em colaboração com outros serviços públicos e IPSS na mitigação dos problemas. Do mesmo modo se coloca a questão da coesão territorial de forma a evitar o acentuar de desequilíbrios dentro do território de intervenção, as ações a apoiar no âmbito da estratégia deverão, tanto quanto possível, abranger a globalidade do território e tirar partido das complementaridades existentes entre os diferentes espaços.

  1. Abertura ao exterior e participação nas dinâmicas globais

Este desafio é um corolário dos desafios anteriores, ou seja, a resposta aos desafios da sustentabilidade e da coesão passa também por uma postura do território aberta ao exterior no sentido de conseguir inserir-se e beneficiar de dinâmicas inovadoras e globais que caraterizam as sociedades modernas. Para tal é importante enquadrar a animação das dinâmicas territoriais em visões construídas de fora para dentro no sentido de identificar as possibilidades de participação do território em nichos do mercado global, tirando partido dos seus ativos mais relevantes e específicos, promovendo a sua atratividade e acessibilidade. Neste contexto são relevantes iniciativas como o Smart Travel, congresso internacional que já conta com duas edições realizadas em Mirandela e Bragança e no âmbito da presente EDL, que aproveitou as redes sociais e a ação de bloggers reconhecidos para a promoção da região e dos seus produtos. É importante apostar no desenvolvimento do turismo digital, do comércio eletrónico, na promoção do território através das redes sociais, aproveitando as possibilidades que o desenvolvimento das TIC hoje proporciona.

  1. Criação de capital humano

Apesar dos progressos registados na TQT em matéria de criação de capital humano nos últimos anos, persistem ainda carências importantes nesta matéria em termos absolutos e comparativamente com o que se verifica na Região do Norte e no País. O aumento da escolarização, a melhoria de resultados escolares, a criação de ofertas formativas ajustadas à produção de competências profissionais para ativos nos principais setores de atividade presentes na região, conforme foi verificado em entrevistas realizadas com atores económicos locais, configura ainda um desafio central do processo de desenvolvimento. Não será possível responder aos desafios colocados nos pontos anteriores sem a presença de profissionais qualificados nas diferentes atividades socioeconómicas locais. A presença no território de instituições de ensino superior e de ensino profissional (por exemplo a ESPROARTE, a Escola Agrícola de Carvalhais e, no ensino superior o Polo de Mirandela do IPB) pode, deste ponto de vista, desempenhar um papel muito importante na produção de oferta formativa adequada à resposta a necessidades concretas de desenvolvimento.

  1. Criação de capital social e reforço da capacidade institucional

A criação de um clima de confiança e de cooperação entre os atores locais é central nos processos de desenvolvimento endógeno como aquele que a presente estratégia apoia. Esta dimensão é reconhecidamente insuficiente na região, conforme foi evidenciado nas sessões de trabalho realizadas com os atores para a preparação da presente estratégia, nomeadamente nos campos do associativismo agrícola, do turismo, das dinâmicas empresariais, da promoção territorial,… Pese embora os progressos realizados nos últimos anos, nomeadamente através de dinâmicas de associativismo local animadas por programas anteriores, casos do LEADER e do PRODER, e da ação da DESTEQUE, o reforço do capital social local persiste como um desafio importante enquanto condição indispensável à criação de condições para o desenvolvimento de projetos de maior envergadura e de interesse coletivo, nos planos económico, social e cultural, imprescindíveis ao desenvolvimento do território. No mesmo sentido, a participação ativa e cooperante dos atores locais – públicos e privados – no processo de desenvolvimento, coloca igualmente a necessidade de reforço das suas capacidades de organização e de gestão e de competências adequadas que permita um envolvimento ativo e qualificado nessas dinâmicas.