Com o intuito de envolver os agentes ativos locais na definição da Estratégia de Desenvolvimento Local para 2014-2020, a Desteque – Associação de Desenvolvimento da Terra Quente, convidou todos os promotores apoiados no anterior Quadro Comunitário, para os ouvir, registar as suas experiências, dificuldades e sucessos e, essencialmente, expetativas em relação ao futuro. Cerca de uma centena responderam à chamada e, de forma muito participativa, definiram os eixos fundamentais de ação. As Jornadas de trabalho foram organizadas em cinco ateliers temáticos:

– Turismo, constituído pelos promotores dos projetos aprovados nos domínios do turismo rural e agroturismo, animação turística, restauração;

– Património, Educação e Cultura;

– Agroalimentar (produção, comercialização e promoção);

– Serviços e outros, constituído pelos promotores dos projetos aprovados neste domínio, microempresas (não agroalimentares);

– Serviços de Proximidade e Sociais.

De todos os contributos destaca-se uma ideia fundamental. “Os promotores querem trabalhar em rede, ganhar escala, querem organização e esse é também o nosso entendimento”, referiu o presidente da Desteque, Duarte Moreno.

De facto, na área do Turismo, os promotores já instalados ou com projetos em curso, frisam a necessidade de começar a trabalhar não apenas cada um dos setores individualmente mas o território como destino turístico. Defenderam a necessidade de organizar a oferta de forma transversal, desde as unidades de alojamento, à restauração, animação, produtos agro-alimentares, artesanato, cultura e tradição e outros. Anseiam por políticas de promoção externa conjuntas e reconhecem a necessidade de apostar, cada vez mais, nas novas tecnologias, como forma de conferir maior atratividade ao território.

Na área do Património, Educação e Cultura, os diversos promotores reconhecem a importância do trabalho já desenvolvido, na valorização do território, e acreditam que o que foi feito contribui para aumentar a dinâmica da região. A área da educação e a divulgação da cultura são apontados como eixos prioritários.

No setor agroalimentar os investimentos realizados serviram para criar novas unidades de produção, deixando no território a mais-valia da transformação e para avançar com o processo de certificação das empresas. Para o futuro estes promotores sublinham a necessidade de apoio à comercialização, mais uma vez de forma coordenada e em parceria, criando redes, ganhando escala.

Na área social o panorama nos serviços oferecidos à população mudou completamente nos últimos anos. A oferta qualificou-se o apoio chegou à população mais fragilizada e mais isolada. Neste setor os agentes instalados no terreno manifestam o desejo de trabalhar em rede de forma a partilhar recursos, rentabilizando os investimentos existentes e garantindo um nível de eficácia maior.

Todas estas notas foram registadas e servem de base de trabalho à equipa da Desteque que tem a responsabilidade de definir a Estratégia de Desenvolvimento para o próximo Quadro Comunitário.

“Este foi um primeiro passo mas vamos continuar com estas reuniões com os agentes territoriais no sentido de definirmos o melhor plano possível”, disse Duarte Moreno.

Este trabalho de auscultação e definição das linhas principais de ação está ser feito também em parceria com a Corane – Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina.

Esta estratégia beneficiará do apoio de diversos Fundos Comunitários, não só do FEADER mas também do FEDER e do FSE. Seguindo as orientações preconizadas a níveis comunitário nacional, a Estratégia a formular deve prosseguir uma abordagem de proximidade ao território e aos seus agentes e contar com o envolvimento da comunidade na sua preparação.

Neste contexto considera-se fundamental partir da experiência verificada nos últimos anos e ouvir os promotores de projetos apoiados sobre os resultados alcançados e aspetos a melhorar futuramente. Estas Jornadas de trabalho constituem assim um primeiro momento de partilha de informação e de envolvimento dos agentes locais na preparação da nova Estratégia.

Uma aldeia marcada pelo LEADER

Estas primeiras Jornadas de Trabalho desenvolvidas pela Desteque decorreram em Chelas, Mirandela, um caso paradigmática da importância dos investimentos realizadas através da abordagem Leader ao longo dos anos.

Desde logo a nível das acessibilidades. Chelas é uma pequena localidade situada às portas de Mirandela que durante muitos anos esteve separada da sede de concelho por 28 quilómetros de distância. Foi com o apoio do LEADER que, em 1995, se construiu a ponte de Chelas, reduzindo a distância com Mirandela para apenas seis quilómetros.

Nesta localidade, igualmente com o apoio do LEADER, construi-se o açude fluvial do Riu Tua Maravilha; fez-se a qualificação e ordenamento dos acessos à zona fluvial de Três-Rios Maravilha e Parque de Campismo; o Parque de Campismo foi dotado de restaurante e court de ténis; desenvolveram-se diversas ações de dinamização das piscinas; e foram apoiados diversos projetos na área do turismo rural, para criação de alojamento e de infraestruturas complementares.

Este é um pequeno exemplo da importância da decisão e gestão local de recursos comunitários.

No período de 2007 a 2014 a Desteque, através da abordagem LEADER, realizou um investimento total próximo dos 19 milhões de euros, 12 milhões de despesa pública, o que contribuiu para assegurar 370 postos de trabalho, 162 novos postos de trabalho.

 

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